quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Psicopedagogia no currículo escolar

ABORDAGEM PSICOPEDAGÓGICA NO CURRÍCULO ESCOLAR, METODOLOGIA, DIDÁTICA, CONTEÚDOS E AVALIAÇÃO NA APRENDIZAGEM




continuação da monografia ...


O ensino dos conteúdos deve ser visto como a ação recíproca entre a matéria, o ensino e o estudo dos alunos. Através do ensino criam-se condições para assimilação consciente e sólida do conhecimento.

Constituem o objeto de mediação escolar no processo de ensino, no sentido de que a assimilação e compreensão dos conhecimentos e modos de ação se convertem em idéias sobre as propriedades e relações fundamentais da natureza e da sociedade, formando convicções e critérios de orientação das opções dos alunos frente às atividades teóricas e práticas postas pela vida social.

A relevância social dos conteúdos significa incorporar no programa as experiências e vivências das crianças na sua situação social concreta, para contrapor a noções de uma sociedade idealizada e de um tipo de vida e de valores distanciados do cotidiano das crianças.

Os conhecimentos são relevantes para a vida concreta  quando ampliam o conhecimento da realidade, instrumentalizam os alunos a pensarem metodicamente, a raciocinar, a desenvolver a capacidade de abstração, enfim, a pensar a própria prática.

O tratamento metodológico dos conteúdos numa ótica crítico-social pressupõe que as propriedades  características dos objetos de estudo estão  impregnadas de significações humanas e sociais. Isto significa não só que os conhecimentos são criações humanas para satisfazer necessidades humanas, que devem servir à prática, ser aplicados a problemas e situações da vida social prática, como também  que devem ser evidenciadas as distorções a que estão utilizados para o ocultamento das relações reais desumanizadoras existentes na sociedade.

Metodologia e didática se fundem para atingir esses objetivos educacionais. O significado para aprendizagem e a socialização dos diferentes interesses marcam essa nova fase da educação, que naturalmente é  inclusiva.

Segundo Libâneo,   a Didática é um lugar, ao qual cabe estudar as principais teorias educacionais dos nossos tempos, confluindo os saberes, num patamar de articulação entre o que se deve fazer e o que se deve saber”.( Libâneo, 1981)


Segundo Ghiraldelli, “a verdadeira didática, deve muito a capacidade geral de se dispor para o outro, na troca de olhares e “cortejamento” entre educador e educando.( Ghiraldelli, 2000)

A tessitura dos conteúdos, com a metodologia e didática apresentados privilegiam a qualquer aluno em sua aprendizagem, pois respeitam suas características individuais, consideram suas experiências prévias, propiciam aplicação significativa dos conteúdos abordados e constroem a autonomia do pensar.

O próximo passo é como avaliar esse processo de desenvolvimento de aprendizagem de forma condizente.


Segundo Coll, “no processo de construção e reconstrução dos conhecimentos pelos alunos que se instaura o papel da avaliação enquanto instrumento de aprendizagem e como elo integrador da intenção da ação educativa.

A avaliação é que irá impulsionar o  processo de construção dos conhecimentos no qual o aluno acompanha seu próprio processo de construção, e de reconstrução, bem como seus ganhos e perdas, sucessos e fracassos, reorientando-se permanentemente.

A   avaliação deve ser um instrumento de reflexão sobre sua aprendizagem e impulsionadora da sua continuidade:avaliação no seu significado básico de investigação e dinaminazação do processo de conhecimento”. (Coll, 1987)


A avaliação portanto passa a ser mais do que constatação dos conteúdos retidos, ela instaura uma forma dinâmica de aprendizagem, numa dialética (conteúdo x apropriação) ao mesmo tempo  que  altera a prática.

A auto-avaliação entra nesse processo continuamente, pois o aluno avalia sua estratégia  e  reorganiza sua  conduta, torna-se responsável pelos seus atos, assume suas dificuldades e desafia a si mesmo na superação dos obstáculos.


Magda Cunha


Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em prendizagem,
consultora na rede pública e particular de ensino
mag-helen.maravilha@gmail.com
www.promaravilha.blogspot.com


                        

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Papel da Psicopedagogia na inclusão


  PSICOPEDAGOGIA  X  INCLUSÃO

A Psicopedagogia clareia a inclusão

continuação da monografia ...

O termo Psicopedagogia é comumente usado para referir-se aos processos psicológicos e pedagógicos ligados à aprendizagem e ensino.

Cabe  ao psicopedagogo, entre outras atribuições, trabalhar com a inteireza do ser humano, garantindo-lhe o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento integral nos aspectos (bio-psico-social): - Mental, cognitivo, social, afetivo, espiritual  e corporal;    ser mediador para intervir, com competências frente as situações  surgidas, clareando-as e aprofundando-as junto aos alunos, pais e outros profissionais ligados ao processo ensino aprendizagem.

Piaget ao estudar o desenvolvimento humano integrou  os aspectos físicos, psíquicos e biológicos.
“Toda inteligência é uma adaptação; toda adaptação comporta uma assimilação das coisas do espírito, como também o processo complementar de acomodação. Logo, qualquer trabalho de inteligência repousa num interesse”.(Piaget)

O interesse não é outra coisa, com efeito, senão o aspecto dinâmico a assimilação.

Como foi mostrado  profundamente por Dewey, o interesse verdadeiro surge quando o eu se identifica com uma idéia ou um objeto, quando encontra neles um meio de expressão e eles se tornam um alimento necessário à sua atividade.

As ciências humanas estão, pois, de certa maneira, enraizadas nas ciências físicas – nenhuma das ciências sendo evidentemente redutíveis à outra.

                       Segundo Morin:
“num sentido, tudo é físico mas, ao mesmo tempo, tudo é humano. O grande problema é, portanto, encontrar o difícil caminho da articulação entre as ciências que têm, cada uma, sua linguagem própria e conceitos fundamentais que não podem passar de uma linguagem à outra”.(Morin, 2003).


Piaget mostra que o sujeito humano estabelece desde o nascimento uma relação de interação com o meio. Passando por vários estágios de desenvolvimento, de acordo com sua maturação neurológica e ao final desses, torna-se autônomo para solucionar problemas simples e complexos (concretos e abstratos).

O termo interação social está intimamente ligado à proposta de Vygotsky, na medida em que este autor adota uma visão de homem que é essencialmente social: é na relação com o próximo, numa atividade prática comum, que este, por intermédio da linguagem, acaba por se constituir e se desenvolver enquanto sujeito.

Vygostky entende que o desenvolvimento é fruto de uma grande influência das experiências do indivíduo. Mas cada um dá um significado particular a essas vivências. Discorda que o processo de aprendizagem dependa exclusivamente da maturação, como alguns teóricos inatistas. Portanto o indivíduo se desenvolve por meio da aprendizagem e com aprendizagem se desenvolve, ciclicamente.

Ao interagir com a inteireza dos alunos o psicopedagogo considera suas diferenças individuais, sejam biológicas, psíquicas ou sociais e naturalmente o inclui nas práticas escolares.

Nesse processo paulatino a auto-estima   é restaurada, o sujeito ganha força no enfrentamento das dificuldades, antes intransponíveis, e que reforçavam o estigma do fracasso escolar.

Atento as potencialidades dos alunos o psicopedagogo  descobre outras  competências pouco evidenciadas  no convívio escolar. Partindo da queixa dos professores, promove desafios para solução e  superação, a luz de novos caminhos.


Segundo Fernández na escola, aprendem como cabeças sem corpo e, quando não aprendem, são enviadas ao hospital onde são consideradas organismos sem inteligência”. ( Fernández, 1991 )

O psicopedagogo vem para alterar esse mito social, que rotula muitas crianças de serem  incompetentes para aprendizagem, isto é, sem inteligência.

Sua atuação autoriza o pensamento, permite o perguntar, deixa espaço para a imaginação e o prazer de aprender. Como retorno o aluno passa a ser autor do seu pensar, articula conteúdos, cria hipóteses sobre o mundo que o cerca e forma de intervenção.

 Estimula a cooperação entre os alunos por acreditar que ninguém avança sozinho em sua aprendizagem, a troca é fundamental, todos tem muito que ensinar e aprender também.

A Psicopedagogia valoriza as diferentes habilidades dos alunos e não apenas a lógico-matemática e a lingüística, como é mais comum.

Segundo Noffs, “A restituição da unidade perdida entre ensino e a aprendizagem é que deve ser o foco da Psicopedagogia , e não o concentrar a sua atuação só na aprendizagem. Ensinar é permitir que as autorias do pensamento possam surgir no sujeito que aprende, ou seja, que o indivíduo, a partir dos conhecimentos transmitidos pelo docente (ensinante), possa reelaborá-los com base em sua história de novas possibilidades e compreensão, permitindo, ao sujeito que aprende, ser “o descobridor”, o “inventor”, o “agente” de seu conhecimento”. (Noffs, 2003)


Magda  Cunha


Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em prendizagem,
consultora na rede pública e particular de ensino
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O educador e a inclusão

         EDUCADOR X INCLUSÃO
             
                                                    constante  repensar  da  prática

continuação  da  monografia...

Um educador, mais especificamente, um professor que sabe se posicionar – teórica e praticamente – diante das teorias educacionais e suas implicações atuais, está  qualificado para atuar seriamente como interventor nos processos de ensino-aprendizagem.
A formação do professor relaciona-se com toda a pessoa: suas capacidades conscientes, assim como sua afetividade, seus ideais e suas  experiências anteriores.
Segundo Fernández :
 “conhecer os atravessamentos ideológicos que suportam nossa tarefa  nos dá a possibilidade de nos autorizarmos a mudar nossa realidade e de nos atrevermos a mudar nossa maneira de nos inserir na mesma, isto é,  pensar com autonomia”.(Fernández, 2001).

Somente ao apropriar-se da diversidade e pluralidade a qual está freqüentemente mediando o professor constrói o saber. Refletindo sua prática terá condições de aperfeiçoá-la constantemente e possibilitar mudanças conceituais , atitudinais e procedimentais.
O conhecimento apropriado é gerador de atitudes autônomas, conscientes que são relevantes para a mudança da sociedade.

O educador que se atreve a mudar a realidade social em que está inserido, é autor do seu pensar e constrói sua história.

Através de sua prática o educador amplia o leque de opções para promover novos autores do pensar, valendo-se do planejamento dos conteúdos, metodologia e didática no ensino.
O objetivo último da ação educativa é preparar o jovem para a vida plena da cidadania. Isto supõe formar um cidadão consciente, crítico e participativo, capaz de compreender a realidade em que vive e nela intervir, participando do processo de construção da sociedade.
Segundo Haydat “a seleção dos objetivos educacionais é, em si, uma atividade que retira o professor da condição e um tarefeiro alienado e o coloca no papel de definidor de uma realidade que ele mesmo constrói, dentro dos limites de sua sala de aula e cujos reflexos, para a realidade externa, serão garantidos através de cada um de seus alunos”. (Haydatt, 1997)

Afirma Libâneo que “a prática educativa somente faz sentido se refletida, passando a ser um fazer crítico, sabendo-se para que e para quem ela está a serviço, isto é, os aspectos sócio políticos de educação”. (Libâneo, 1981)

A organização dos conteúdos na proposta de transversalidade segundo os PCNs incumbe o professor a  romper com as atividades formais e ampliar sua responsabilidade na formação dos alunos, através de visão longitudinal dos componentes curriculares em um trabalho sistemático e contínuo.
Sendo essencial para isso, estar consciente dos conteúdos a desenvolver, valores e atitudes previamente eleitos. Saber que a formação de atitudes não é um processo linear e, portanto o comportamento dos alunos não deve servir exclusivamente como instrumento de medida para ação pedagógica.
Segundo Hoffmann, “dinamizar oportunidades para que o aluno possa refletir sobre o conhecimento que possui e sobre o conhecimento que constrói e como constrói”.(Hoffmann, 2003)
A diversidade  no meio social e, especialmente no ambiente escolar, é fator determinante do enriquecimento das trocas, dos intercâmbios intelectuais, sociais e culturais que possam ocorrer entre os sujeitos que nele interagem. 

A inclusão é viabilizada à medida que se baseia na formação dos seres como um todo, significado, pluralizado e diversificado.

Magda Cunha



Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em prendizagem,
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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Desafios da escola inclusiva

                                             Desenvolvimento humano


continuação  da  monografia ...



A escola intervém não só na transmissão do saber científico organizado, mas também influi decisivamente nos múltiplos aspectos que compõe o processo de socialização.

Promover o desenvolvimento humano significa intervir nestes aspectos, dando-lhe um determinado sentido.

    Assim nos afirma Coll, “a educação escolar é um fenômeno essencialmente social e socializador, cuja finalidade última é promover o desenvolvimento das pessoas”.(Coll 1990)

 A transversalidade é uma alternativa para: estabelecer nos conteúdos escolares relação com a realidade vivida pelos educandos, significar mais a aprendizagem e promover a inclusão.

 Maneira pela qual a escola assumiria a intencionalidade ligada as atitudes e procedimentos sociais que deseja formar deixando de ser mera reprodutora das desigualdades sociais e preconceitos que autenticam a exclusão.

No ensino há sempre três elementos: a matéria, o professor, o aluno. Geralmente os professores entendem esses elementos de forma linear, isto é, sem perceber o movimento de ida e volta entre um e outro, sem estabelecer relações recíprocas.

Na escolha  dos conteúdos de ensino, essas relações recíprocas são constituídas, não só, da herança cultural  manifesta nos conhecimentos e habilidades, mas também, da experiência  social vivida no presente pelos alunos, isto é, nos problemas e desafios existentes no contexto em que vivem..

Devem ser elaborados numa perspectiva de futuro, uma vez que contribuem para a negação das ações sociais vigentes tendo em vista a construção de uma sociedade verdadeiramente humanizada, que tem a inclusão como regra e não como exceção.

Segundo Perrenoud, na escola deve-se aprender a conhecer, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O que também significa: aprender a aprender, para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida.

Aprender a fazer, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional mas, de uma maneira ampla, competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. Mas também aprender a fazer, no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional, quer formalmente, graças ao desenvolvimento do ensino alterado com o trabalho.

Aprender a viver juntos desenvolvendo a compreensão do outro e a percepção das interdependências – realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.

Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Para isso, não negligenciar na educação nenhuma das potencialidades de cada indivíduo memória, raciocínio, sentido estético, capacidades físicas, aptidão para comunicar-se.
É a  investigação e a pluralidade de possíveis caminhos que tornam o assunto interessante, sempre instigando a curiosidade.

A educação deve ser um despertar para a filosofia, para a literatura, para a música, para as artes. É isso que preenche a vida. Esse é seu verdadeiro papel.
Um dos principais objetivos da educação é  construir valores. E esses são incorporados pela criança desde muito cedo.
 É preciso mostrar a ela como compreender a si mesma para que possa compreender os outros e a humanidade em geral.
Os jovens têm  que conhecer as particularidades do ser humano. O sistema educativo não incorpora essas discussões e, pior, fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação.

A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.


A escola deverá abrir oportunidades para que os alunos aprendam sobre temas normalmente excluídos: política, economia, sexo, drogas, saúde, meio ambiente e tecnologia”. (PCNs)

Magda Cunha



Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em prendizagem,
consultora na rede pública e particular de ensino

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Experiência de professoras com a inclusão


           As professoras

As  professoras entrevistadas tiveram opiniões contrárias a respeito do aluno PNEE, algumas afirmaram que a inclusão escolar na verdade  excluí e outras que sem participarem da vida escolar regular continuam segregados socialmente.

  a) A professora N.B.Almeida, 40,  durante sua prática como professora de Ensino Fundamental, coordenadora  e até diretora escolar percebeu uma grande discriminação aos alunos    PNEE incluídos na rede regular de ensino público. Por parte dos alunos, professores e até mesmo pessoas da área administrativa.

  Para explicar essa atitude N.B.Almeida relatou que:

“a integração dos alunos PNEEs não foi preparada previamente, não houve um tratamento de base, uma capacitação para o corpo docente, uma conscientização   dos   alunos regulares para entenderem e acolher os colegas especiais, uma orientação ao corpo administrativo  para  dar  suporte necessário aos professores e alunos em questão. Assim a inclusão não funcionou, os alunos PNEEs ficaram marginalizados,  prejudicados em suas aprendizagens e interações sociais”.

   A solução apresentada por N.B.Almeida para que os alunos PNEEs sejam incluídos na rede foi: 

“mantê-los em escolas especiais e preparar o contingente regular de ensino para acolhê-los com dignidade, não de faz de conta, respeitando seu direito de aprender e conviver socialmente”.

         b)  A professora  de Ensino Fundamental T.G.Santos, 32, confirma a opinião de N.B.Almeida sobre a inclusão escolar dos alunos PNEEs na rede  regular de ensino  e comenta a expectativa dos responsáveis  em relação a escolarização dos mesmos.


Alguns pais são conformados e resignados,     os    aceitam     com    suas limitações, não têm grandes expectativas em relação a eles; em outros percebemos uma certa revolta e inconformismo não apresentando nenhuma expectativa perante eles. Acabam realizando todas as tarefas por eles, por não acreditarem em seus potenciais; e por fim, existem uns poucos pais que os aceitam e lutam por torná-los independentes, preparando-os para uma vida digna, inserindo-os na sociedade”.

  Para professora T.G.Santos a família tem papel preponderante nas relações de desenvolvimento cognitivo, auto-estima e socialização. Afirmou que o preconceito está em todos lugares (família, escola, sociedade) e precisa ser eliminado, para que haja uma nova consciência do que é um sujeito portador de necessidades especiais.

   Concluiu esperançosa seu relato:

“seria ideal que o sistema de ensino os ‘abraçasse’, pois convivendo com as crianças ditas ‘normais’ eles teriam  chances de: desenvolver mais rapidamente  e  serem aceitos com maior facilidade na sociedade”.

  c) A professora V.L.Gadeia,37, que atua em escola privada de educação infantil, nas disciplinas de música e educação física, munida  de  intuição, amor  e bom senso, relatou  o seu trabalho de  inclusão com alunos PNNEs  desde 1997.

  Quando V.L.Gadeia recebeu o primeiro aluno especial em sua turma,  a direção da escola somente comunicou que ele tinha síndrome de Down,  não oferecendo suporte algum para trabalhar.

  Relatou que as crianças o acolheram normalmente, sem fazer menção às suas diferenças e a medida que aparecia alguma dúvida, pesquisava para poder melhor intervir.

   Assim atuava V.L.Gadeia:

Percebi que não podia trabalhar da mesma forma com o aluno Down, então observando quais eram suas potencialidades e limitações, propunha desafios possíveis de serem realizados e sempre dava um jeito para que participasse, de todas elas. Algumas vezes era o juiz, aquele que marcava os pontos com  placas, outras segurava a corda para os amigos pularem ou  dava a ordem para começarem e terminarem. Sempre parecia muito envolvido e feliz com as atividades propostas, o que me fazia crer, estar indo na direção acertada.”

  Essa experiência V.L.Gadeia transferiu para outros alunos PNEEs, sempre os envolvendo nas atividades, respeitando seus limites e fortalecendo suas potencialidades.

   Conclui com muita segurança dizendo:

“Todas crianças PNEEs podem ser incluídas na rede regular de ensino se os professores adotarem essa forma de atuação. Ninguém precisa ser especialista em todas as deficiências, basta ter amor ao ser humano, colocar-se em seu lugar, pensar no que seria bom se tivesse essa limitação e buscar informações a respeito das melhores intervenções possíveis. Não digo que isso não de trabalho, mas um planejamento pode ser plenamente adequado para as NEEs, se for visto nesse aspecto, o que facilita muito a prática”.


             d) A  professora I.F. Carvalho, 34, leciona na rede privada de ensino para turmas de 7ª e 8ª séries do ensino fundamental.

   Para   ela os alunos PNEEs dependem de alguns fatores para a inclusão acontecer.

“A escola precisa ter estrutura, estar preparada para lidar com o diferente, acho que aí vale a pena esse trabalho em escolas ‘normais’...Quando sofrem discriminação e não têm suas necessidades atendidas por falta de pessoal especializado, o aluno PNEE será melhor atendido em uma escola especial”.

  Relatou que a escola em que está trabalhando lhe dá suporte no atendimento dos PNEEs e que as dúvidas podem ser tiradas de outra forma:


“De modo geral a escola oferece suporte para trabalharmos com aluno inclusivo, pois nem sempre conhecemos o diagnóstico. As vezes é preciso buscar a troca de experiência com outros profissionais”.

   Um outro fator relevante, citado pela professora, foi:

  “Faltam recursos materiais (audio-visuais, material pedagógico diversificado, jogos e brinquedos)”.


   e) A professora I. C. Pinheiro, 46, professora da rede pública escolar, leciona há vinte anos no ensino fundamental estadual  nas primeiras séries  e na rede municipal em educação infantil .

    Relatou que existe uma indisposição geral entre os professores para incluírem os PNEEs em classes regulares de ensino.

   Segundo I.C.Pinheiro os professores sentem-se inseguros e pressionados  pela direção escolar, que não lhes dá  o mínimo suporte, arcando sozinhos com a responsabilidade do fracasso ou êxito.

    Em sua opinião:
“A inclusão dos alunos com necessidades   educacionais   especiais deve ter os mesmos  objetivos da educação de qualquer aluno, embora se faça necessário, em alguns momentos modificações ou adaptações na organização e no funcionamento para que tais alunos alcancem os objetivos estabelecido”.

     Quanto a estrutura escolar I.C.Pinheiro acredita que:

“Inclusão exige rupturas, no aspecto de que à escola cabe  adaptar-se à necessidades dos alunos e não aos alunos se adaptarem ao modelo da escola”.

Magda Cunha



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    Experiência de uma diretora sobre inclusão

                           auxílio  profissional  X   família   X  aceitação para  inclusão



    continuação da monografia...



              A diretora

    A diretora entrevistada, A.  Morelli, 50, relatou:

    “Desde que apareceu o primeiro caso de criança deficiente procurando vaga para berçário, aceitamos e fomos orientados pelos especialistas que acompanhavam-na.
    No começo foi difícil, pois tínhamos muitas dúvidas e medo de prejudicá-la, mas depois percebemos que não era um bicho de sete cabeças e então mais tranqüilas realizamos um bom trabalho de inclusão.

    Muito embora não soubéssemos o que viria ser a inclusão de hoje.
    Nossa intenção era dar oportunidade para aquela família e criança de participar do eixo sócio-escolar, respeitando suas diferenças.

    Alguns casos nos renderam importantes aprendizagens, haja vista que tudo o que fazíamos a nível pedagógico era experimental.

    Destas vivências acredito que a intuição e o amor ao próximo nos levaram a direção mais adequada.

    Quando reencontramos com essas famílias, sorrimos ao vê-los inseridos socialmente e ficamos um pouquinho orgulhosos, acho que podemos, né?

      Quanto a  atuação escolar atualmente  relatou que:

    “A partir de 1994 a escola seguiu as determinações da Declaração de Salamanca e pode capacitar o corpo docente com reuniões a respeito das especificações para o atendimento das crianças especiais. Na época tínhamos um com síndrome de Down e dois com rebaixamento intelectual moderado.
    Atualmente estamos atendendo uma criança com distúrbio moderado de aprendizagem (dislexia)  e outras duas com problemas emocionais (agressividade; insegurança) que interferem no relacionamento social e cognitivo”.

         Ao identificar os problemas de aprendizagem  A.M.Morelli conversa com seus responsáveis e encaminha o aluno para  ser avaliado pelos respectivos   profissionais, como exemplo, fonoaudiólogos, psicólogos, psicopedagogos, entre outros.

         Sua visão a respeito de inclusão contempla o trabalho conjunto da família-escola-especialistas, sem o qual, explicou ficar complicado mediar a aprendizagem e socialização do aluno PNEE. 

    Magda Cunha



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    Visão dos coordenadores sobre a inclusão escolar

     
                                              Muito que  debater,  entender  e  estudar...

    continuação da monografia ...

              Os coordenadores

    Os dois coordenadores pedagógicos afirmaram que nem mesmo eles sentem-se totalmente preparados para trabalharem a inclusão, pois a inserção foi  atropelada, isto é, o MEC (Ministério da educação e Cultura) não planejou sua implantação e muitos professores estão realmente perdidos, sem referência e alguns até pedem transferência de escolas por não saberem lidar com essas novas determinações.

    Ambas procuraram literaturas e cursos para orientarem os professores, porém sabem que cada aluno é diferente e somente com a convivência poderão conhecê-los e auxiliá-los mais adequadamente.


    a)      A primeira coordenadora, R.S.B.Buhi, que  tabalha em escola privada com o ensino fundamental, comentou:

    “Cada família carrega uma expectativa a respeito da dificuldade de seus filhos, podendo atuar como suporte de todo trabalho a ser estabelecido  ou por vezes causar transtornos na busca de alternativas para a inclusão.   A ponte escola-aluno-família não é fácil de ser atingida, mas sei que esta atenção, cuidados, trabalho direcionado, fazem a diferenças na vida escolar de um aluno PNEE”.

                 Quanto a socialização do aluno PNEE, R.S.B.Buhi relata que:

    “grupos de amizade de faixa etária similar, na escola, na prática esportiva são necessários para que possa conhecer melhor a si e ao outro, promovendo a integração, a independência e enfim um mundo escolar igual ao dos outros, onde ele vai sentir feliz e útil através dos seus próprios esforços”.

    Como solução para otimizar a inclusão na rede ensino R.S.B. Buhi sugeriu investir na formação de professores.

    b)       A segunda coordenadora, M. S. Toledo, trabalhou em uma ONG que atende crianças deficientes e relatou:
     “Depois que trabalhei com alunos PNEEs mudou meu olhar em relação a seu atendimento, percebi que posso ajudá-los a levantar sua auto-estima, sentir-se mais confiantes e desenvolver melhor suas habilidades, além de orientar sua família para apoiá-los em sua trajetória”.

    Embora ela acredite que:

    “É muito complicado em uma sala de aula regular, que o professor sem preparo para inclusão, consiga trabalhar e fazer com que o PNEE se desenvolva adequadamente”.

    A coordenadora M.S.Toledo concluiu a respeito da inclusão de alunos PNEEs na rede regular de ensino:

    “O PNEE necessita de um trabalho específico para obter bom desenvolvimento e nesse aspecto acredito que seja melhor o atendimento em turmas caráter especial”.

    Magda Cunha



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