sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Leitura em extinção


Lendo o artigo do colunista Tony Bellotto   refleti sobre a distância imensa que a maioria esmagadora dos brasileiros encontra-se em relação ao universo literário.
Um universo que é pouco valorizado, que depende de modelo desde a infância ou pelo menos de uma estrutura educacional que potencialize a leitura por prazer.
Vejo a leitura esquecida, como se fosse algo antigo, sem espaço nesse universo midiátio.
Sem leitura o Homem fica sem cerce, que fazer pra reverter esse desatino?
Um novo paradigma em relação ao leitor tem transparecido na Bienal do livro, eventos em  livrarias, bibliotecas públicas e nos programas educacionais.
A valorização desse hábito carece de estímulo, de campanhas contínuas e incentivo desde a mais tenra idade.
A família tem um papel preponderante. E o que dizer se a constituição familiar tem-se esfacelado ...
Um problema de ordem estrutural ...
Quanto mais mexe, mais complicado fica ...

Magda Cunha

Fonte: Companhia das letras

Por Tony Bellotto
Aegean Sunset
Pôr do sol em Santorini
Ao me preparar para uma recente viagem à Grécia, depois de feita a mala, me deparei com a questão fundamental: que livros levar?
Desviei os olhos da pilha na cabeceira — os clássicos russos e franceses nunca lidos, o recém lançado romance de um amigo, o livro chato porém fundamental de não sei quem, todos amontoados como Penélopes de papel — e me encaminhei à estante em busca de romances latino-americanos, que me pareceram a companhia literária ideal para um giro pelas Cíclades (não sei por que razão, já que uma antologia de Kaváfis ou a Odisseiaseriam escolhas mais óbvias).
Uma releitura de Cem anos de solidão? Ou de O jogo da amarelinha?
E então esbarrei no Pedro Páramo, de Juan Rulfo, escondido entre dois Carlos Fuentes e um Octavio Paz.
A edição da Brasiliense de 1969, o volume 4 da Coleção América Latina, com capa deslumbrante de J. Toledo, contundente introdução de Otto Maria Carpeaux e tradução seca de Jurema Finamour é dos meus mais preciosos livros de estimação.
Levei o bichinho comigo para a Grécia e dois dias depois, à beira da piscina de um hotel em Santorini, relendo a obra prima da concisão, me perguntei se não teria cometido uma besteira ao conduzir meu velho Páramo para um lugar tão distante, quente, ensolarado e de vento forte e contínuo. Fiquei com medo de que suas páginas começassem a se soltar e que o livro se desfizesse em minhas mãos e se transformasse em pó às margens do Egeu.
Mas Pedro Páramo retornou inteiro para casa, provando a qualidade da edição de 43 anos, e já está guardado na estante junto a Pergunte ao pó, de John Fante, edição de 1987 da mesma Brasiliense com tradução de Paulo Leminski, dois de meus recorrentes estimados prediletos, sem os quais eu me sentiria um sujeito desafortunado e muito mais melancólico.

* * * * *

Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu livro mais recente, No buraco, foi lançado pela Companhia das Letras em setembro de 2010.

Educação x Corrupção no Brasil



                         Oportunidades igualitárias se fazem urgentes nas salas de aula brasileiras.


Posto com entusiasmo esse artigo que revela um trabalho muito bem elaborado e de interesse público.
Precisamos de investimento na área de pesquisa educacional, e que se multipliquem pelo país ações como essa.
Esse programa nos revela possibilidades de mudança na forma de divulgação e acesso democrático aos estudos.
Parabéns aos idealizadores, a todos que participam e que tornam possível a mudança de paradigma na educação nacional, para um país mais justo, igualitário e digno.
A corrupção tem uma solução, a educação.

Magda Cunha


Fonte: Pensar a educação, Revista Presença pedagógica
          
Programa
Pensar a Educação/Pensar o Brasil 
1822-2022
Livros, seminários, programas de rádio e conteúdos para internet fazem parte das ações do  Programa Pensar a Educação/Pensar o Brasil – 1822-2022.

 A proposta é aproveitar o período que antecede os 200 anos da independência do Brasil para aprofundar o debate sobre a contribuição da educação para a construção de um país melhor para todos os brasileiros Criado em 2007, o Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Pensar a Educação/Pensar o Brasil – 1822-2022 (PEPB) articula projetos em torno da educação pública.

É desenvolvido por um grupo multidisciplinar de professores e alunos dos níveis de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que atuam em diferentes áreas do conhecimento, como pedagogia, educação física, história, letras e comunicação social.

Trata-se de uma ação que busca criar e desenvolver projetos voltados para o público em geral, principalmente para os professores, utilizando diversas mídias para qualificar e expandir a reflexão acerca do tema.

Os coordenadores do Programa, desde sua concepção, são os professores Luciano Mendes de Faria Filho, da Faculdade de Educação, e Tarcísio Mauro Vago, da Escola de Educação Física.

O Programa atribui grande valor ao caráter  formativo dos seus integrantes e o público-alvo, propiciando desenvolvimento contínuo e dinâmico de competências e favorecendo a consciência da necessidade de redimensionar as ações pedagógicas e culturais.

Sua proposta é potencializar a indissociável relação das atividades de extensão com o ensino e a produção do conhecimento acadêmico.

Para cumprir com a responsabilidade social da universidade pública na produção e divulgação do conhecimento científico, o Programa retoma a ideia de que a função da universidade é produzir conhecimento e ser o espaço da crítica qualificada.

O objetivo do Programa é aproveitar o período que antecede as comemorações dos 200 anos da independência do Brasil (a ser completado em 2022) para propor ações que estimulem a reflexão sobre a contribuição da educação para a construção de um país mais justo e igualitário.

Para o Programa, a educação é uma das principais ferramentas para a formação de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, e  de um maior protagonismo no processo democrático.

De acordo com um dos principais idealizadores do Programa, Luciano Mendes de Faria Filho (2011), “uma das maneiras de projetar alternativas viáveis para a construção de um país mais democrático e igualitário é, justamente, o esforço para pensar os nossos problemas de maneira plural e diversificada, fugindo de lugares comuns e soluções fáceis”. 

Escândalos políticos e transformações de fundo pelos quais passava a esfera pública no Brasil e no mundo em 2007 motivaram, inicialmente, alguns questionamentos sobre o silêncio dos intelectuais brasileiros.

Isso deu origem a uma série de debates sobre democracia, esfera pública e participação política. No entanto, houve um esquecimento do papel da escola pública.

É como se, infelizmente, nossa intelectualidade acreditasse que é possível construir uma sociedade democrática sem uma escola pública de qualidade. [...]
Será por que a escola pública foi abandonada pela classe média, estrato de onde vem a maioria dos intelectuais?
Será por que, uma vez mais, a escola pública é a escola dos outros, já que a nossa escola, a dos nossos filhos e filhas, é a escola privada? (FARIA FILHO, 2011).

O programa busca, assim, alargar e ocupar, como intelectuais da educação, o espaço de debate  sobre a escola pública no Brasil.

Conjunto de ações

Em 2007, foi realizado o primeiro projeto integrado ao Programa: o Seminário Nacional, que teve como título Os intelectuais e o debate público sobre educação no Brasil.

Desde então, esse projeto vem sendo organizado em oito conferências anuais, que giram em torno de um tema relevante para o debate sobre a educação pública.

Proferidas por importantes pesquisadores da UFMG e de outras instituições brasileiras, essas conferências são gratuitas, abertas à participação do público em geral e emitem certificados de participação.

Esses eventos são filmados, gravados em DVD e disponibilizados gratuitamente. Para alunos de graduação das instituições públicas e privadas, além do contato com rica discussão sobre o tema educação pública, a participação no Seminário é também um momento importante para suas atividades acadêmicas, servindo como atividade complementar de curso.

As conferências integram o currículo do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da UFMG. São voltadas para os alunos matriculados nos cursos de mestrado e doutorado em educação e de outros cursos da UFMG, mas também para pessoas graduadas em qualquer instituição de ensino superior, na condição de disciplina isolada.

Cria-se, assim, mais um espaço de formação acadêmica que motiva o ingresso na pós-graduação.

O segundo projeto integrado ao Programa é a publicação de livros que compõem a Coleção Pensar a Educação/Pensar o Brasil – 1822-2022, uma parceria com a Mazza Edições.
 Essa coleção está organizada em cinco séries, que são:
• Seminários – reúne os textos das conferências proferidas no Seminário Anual;
• Clássicos da Educação Brasileira – estimula a leitura e busca aproximar os clássicos da educação brasileira do público geral, em especial dos professores;
• Estudos Históricos – apresenta trabalhos de história da educação e de áreas afins que contribuam para ampliar o entendimento sobre o lugar da educação no âmbito dos projetos do Brasil, delineados ao longo de nossa história;
• Diálogos – apresenta livros destinados aos professores sobre temas variados relacionados ao universo escolar;
• Ensaios – publicará textos com sínteses sobre as grandes questões nacionais, escritos pelos principais especialistas no assunto, cobrindo os últimos 200 anos da história do Brasil.

O terceiro projeto integrado é um programa radiofônico transmitido pela Rádio UFMG Educativa, 104,5 FM (confira o link da Rádio no site da  Presença Pedagógica: (www.presencapedagogica.com.br).
Esse projeto é veiculado semanalmente, ao vivo, toda segunda feira, das 20h às 22h. Está no ar, ininterruptamente, desde setembro de 2007, tendo sido realizado cerca de 200 programas.

Em 2009, o programa de rádio passou a contar com uma retransmissão realizada pela Rádio da Universidade Estadual de Maringá, PR. Em 2010, começaram a ser transmitidos alguns programas de rádio, ao vivo, diretamente de escolas públicas de Belo Horizonte, MG.

Nossa intenção com esse esforço se resume no propósito de criar condições para que as escolas públicas de Belo Horizonte possam divulgar as suas práticas e experiências inovadoras no campo da Educação Básica. Já foram transmitidos nove programas realizados nas escolas.

O quarto projeto integrado ao Programa é a produção de conteúdos para a internet, disponibilizados no site <http://www.fae.ufmg.br/pensareducacao>.
Trata-se de um importante meio de divulgação de textos sobre educação, informações sobre as atividades do projeto, a agenda dos Seminários e sugestões de leitura.

Conta, ainda, com um arquivo de áudio, que contém, na íntegra, todos os programas de rádio já realizados.
Os internautas interessados nas ações do Programa podem contar também com os recursos da interatividade das mídias digitais. Dessa forma, são realizadas interações dinâmicas por intermédio de redes sociais, como Facebook, Orkut e Twitter.

Com isso, ampliam-se as trocas de informações e de ideias, promovendo debates.

A partir dessas ações, desenvolvidas em diversas mídias (impressa, digital, radiofônica) e também de forma presencial, buscamos democratizar o acesso ao debate, às pesquisas e ao conhecimento sobre a educação pública no Brasil.

Referências
Sugestões de leitura:
MOURA, Maria Aparecida (Org.).  Cultura informacional e liderança comunitária: concepções e práticas. Belo Horizonte: UFMG / PROEX, 2011.
FARIA FILHO, Luciano Mendes de.  Projeto Pensar a Educação/Pensar o Brasil – 1822-2022. Disponível em <goo.gl/V2ZSd>. Acesso em: 03 out. 2011.
VAGO, Tarcísio Mauro; HAMDAN, Juliana Cesário; INÁCIO, Marcilaine Soares; SANTOS, Hercules Pimenta dos. Intelectuais e
escola pública no Brasil: séculos XIX e XX. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2009.
XAVIER, Maria do Carmo (Org.).  Clássicos da educação brasileira, v. 1. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2010.

Aprendizagem com uma visão do todo

Comemoro minha centésima postagem em homenagem a uma pessoa muito especial, que dedicou-se em prol da ciência da vida, educação e bem estar.

Ovide Decroly

Este médico e educador belga defendia a idéia de que as crianças apreendem o mundo com base em uma visão do todo

01/07/2011 19:54
Texto Márcio Ferrari
Nova-Escola
Foto: hmenf.free.fr
Foto: No campo da expressão, Decroly dedicou muita atenção à questão da linguagem
No campo da expressão, Decroly dedicou muita atenção à questão da linguagem
Frases de Ovide Decroly:

"Convém que o trabalho das crianças não seja uma simples cópia; é necessário que seja realmente a expressão de seu pensamento"

"O meio natural é o verdadeiro material intuitivo capaz de estimular forças escondidas da criança"


Ovide Decroly nasceu em 1871,em Renaix, na Bélgica, filho de um industrial e de uma professora de música. Como estudante, não teve dificuldade de aprendizado, mas, por causa de indisciplina, foi expulso de várias escolas. Recusava-se a freqüentar as aulas de catecismo. Mais tarde preconizaria um modelo de ensino não-autoritário e não-religioso. Formou-se em medicina e estudou neurologia na Bélgica e na Alemanha. Sua atenção voltou-se desde o início para as crianças deficientes mentais. Esse interesse o levou a fazer a transição da medicina para a educação. Por essa época criou uma disciplina, a "pedotecnia", dirigida ao estudo das atividades pedagógicas coordenadas ao conhecimento da evolução física e mental das crianças. Casou-se e teve três filhos. Em 1907, fundou a École de l’Ermitage, em Bruxelas, para crianças consideradas "normais". A escola, que se tornou célebre em toda a Europa, serviu de espaço de experimentação para o próprio Decroly. A partir de então, viajou pela Europa e pela América, fazendo contatos com diversos educadores, entre eles o norte-americano John Dewey (1859-1952). Decroly escreveu mais de 400 livros, mas nunca sistematizou seu método por escrito, por julgá-lo em construção permanente. Morreu em 1932, em Uccle, na região de Bruxelas.

Entre os pensadores da educação que, na virada do século 19 para o 20, contestaram o modelo de escola que existia até então e propuseram uma nova concepção de ensino, o belga Ovide Decroly foi provavelmente o mais combativo. Por ter sido, na infância, um estudante indisciplinado, que não se adaptava ao autoritarismo da sala de aula nem do próprio pai, Decroly dedicou-se apaixonadamente a experimentar uma escola centrada no aluno, e não no professor, e que preparasse as crianças para viver em sociedade, em vez de simplesmente fornecer a elas conhecimentos destinados a sua formação profissional.

Decroly foi um dos precursores dos métodos ativos, fundamentados na possibilidade de o aluno conduzir o próprio aprendizado e, assim, aprender a aprender. Alguns de seus pensamentos estão bem vivos nas salas de aula e coincidem com propostas pedagógicas difundidas atualmente. É o caso da idéia de globalização de conhecimentos - que inclui o chamado método global de alfabetização - e dos centros de interesse.

O princípio de globalização de Decroly se baseia na idéia de que as crianças apreendem o mundo com base em uma visão do todo, que posteriormente pode se organizar em partes, ou seja, que vai do caos à ordem. O modo mais adequado de aprender a ler, portanto, teria seu início nas atividades de associação de significados, de discursos completos, e não do conhecimento isolado de sílabas e letras. "Decroly lança a idéia do caráter global da vida intelectual, o princípio de que um conhecimento evoca outro e assim sucessivamente", diz Marisa Del Cioppo Elias, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Os centros de interesse são grupos de aprendizado organizados segundo faixas de idade dos estudantes. Eles também foram concebidos com base nas etapas da evolução neurológica infantil e na convicção de que as crianças entram na escola dotadas de condições biológicas suficientes para procurar e desenvolver os conhecimentos de seu interesse. "A criança tem espírito de observação; basta não matá-lo", escreveu Decroly.

Necessidade e interesse

O conceito de interesse é fundamental no pensamento de Decroly. Segundo ele, a necessidade gera o interesse e só este leva ao conhecimento. Fortemente influenciado pelas idéias sobre a natureza intrínseca do ser humano preconizadas por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), Decroly atribuía às necessidades básicas a eterminação da vida intelectual. Para ele, as quatro necessidades humanas principais são comer, abrigar-se, defender- se e produzir.

A trajetória intelectual e profissional de Decroly se assemelha à da contemporânea Maria Montessori (1870-1952). Como a italiana, o educador belga se formou em medicina. Encaminhando- se para a neurologia, também como ela trabalhou com deficientes mentais, criou métodos baseados na observação e aplicouos à educação de crianças consideradas "normais". Ambos acreditavam que o ensino deveria se aproveitar das aptidões naturais de cada faixa etária.

Mas, ao contrário de Montessori, cujo método previa o atendimento individual na sala de aula, Decroly preferia o trabalho em grupos, uma vez que a escola, para ele, deveria preparar para o convívio em sociedade. Outra diferença é que a escola montessoriana recebe as crianças em ambientes preparados para tornar produtivos os impulsos naturais dos alunos, enquanto a escola-oficina de Decroly trabalha com elementos reais, saídos do dia-a-dia.

Os métodos e as atividades propostos pelo educador têm por objetivo, fundamentalmente, desenvolver três atributos: a observação, a associação e a expressão. A observação é compreendida como uma atitude constante no processo educativo. A associação permite que o conhecimento adquirido pela observação seja entendido em termos de tempo e de espaço. E a expressão faz com que a criança externe e compartilhe o que aprendeu.

Linguagens múltiplas

No campo da expressão, Decroly dedicou cuidadosa atenção à questão da linguagem. Para ele, não só a palavra é meio de expressão mas também, entre outros, o corpo, o desenho, a construção e a arte.

Com a ampliação do conceito de linguagem, que a lingüística viria a corroborar, Decroly pretendia dissociar a idéia de inteligência da capacidade de dominar a linguagem convencional, valorizando expressões "concretas" como os trabalhos manuais, os esportes e os desenhos.

Escolas que são oficinas

A marca principal da escola decroliana são os centros de interesse, nos quais os alunos escolhem o que querem aprender. São eles também que constroem o próprio currículo, segundo sua curiosidade e sem a separação tradicional entre as disciplinas. "Hoje se fala tanto em interdisciplinaridade e projetos didáticos. Isso nada mais é do que os centros de interesse", diz a professora Marisa del Cioppo Elias. Os planos de estudo dos centros de interesse podem surgir, entre as crianças menores, das questões mais corriqueiras.

Para pensar

Decroly ficou chocado coma realidade que conheceu ao trabalhar com deficientes - a maioria recém-saída de uma experiência de marginalização e fracasso nas escolas públicas. O médico equiparava parte dos institutos de educação dos bairros pobres a hospícios e casas de correção para delinqüentes. Decroly concebia as relações dentro da escola como uma sociedade em miniatura. Elas teriam função preventiva, de garantir formação intelectual, física e moral sólida para construir uma vida de cidadão. Essa formação deveria ser conduzida pelas próprias crianças desde os primeiros anos de escola. E você, o que acha? A melhor forma de a escola se organizar é mesmo por meio dos interesses dos alunos?

Reggio Emilia e as linguagens da criança



                            A criança se  expressa de muitas formas, o brincar privilegia todas elas...


As 100 linguagens das crianças


Fonte: Portal prendiz  
Por Patrícia Gomes, do Porvir


Reggio Emilia, abordagem criada no pós-guerra em cidade italiana, leva aprendizado por projetos na educação infantil.
Não sobrou pedra sob pedra na cidade italiana de Reggio Emilia depois da segunda guerra mundial: ruas, escolas, casas… Tudo havia sido bombardeado. Para não privar os filhos do direito de estudar, um grupo de pais se organizou, reuniu material dos escombros, conseguiu um terreno e construiu uma escola. Um jovem que passava de bicicleta gostou do que viu e resolveu ficar. Loris Malaguzzi criaria ali, em 1946, naquele ambiente marcado pela destruição, uma forma de trabalhar o ensino infantil que viria influenciar escolas do mundo inteiro, inclusive no Brasil, que estimula crianças a usarem todas as suas maneiras de expressão, leva a produção dos pequenos para fora da escola e traz a comunidade para dentro.

“A criança tem milhões de linguagens. Quando ela chega na escola, normalmente são privilegiadas as dimensões escrita e oral. Mas as crianças podem se expressar de diversas outras formas”, diz Paola Capraro, diretora da escola bilíngue Eugenio Montale, que fica em São Paulo e usa a abordagem. E por apostar em todas as linguagens com as quais as crianças se comunicam, preceito muito defendido pelo fundador Malaguzzi, o sistema reggiano vê a criança como um ser forte, pensante, com visão própria de mundo.

Ao contrário do que ocorre no ensino tradicional, as crianças não se juntam por idade, mas por interesses. Um grupo pode ter, por exemplo, alunos de três a seis anos que se unem para trabalhar juntos em um projeto, que pode ser entender como uma ponte funciona. Enquanto uma equipe vai pesquisar quais são as pontes mais importantes do mundo, outra decide que vai construir um protótipo de argila e outra trabalha com figuras geométricas. Ao fim, as equipes voltam a se reunir, contam o que descobriram e se aprofundam em assuntos que julgarem importantes. Os aprendizados vão incluir as disciplinas tradicionais, como matemática, história, geografia, e outras capacidades, como capacidade de trabalhar em equipe, habilidades manuais e persistência.

“O mundo não é separado por áreas como a escola. No projeto, todas as matérias são discutidas diante da realidade como ela é”, diz Paola. Nesse ponto, ter um grupo heterogêneo quanto à idade também ajuda. “Como acreditamos que todo mundo pode aprender com todo mundo, essa questão da idade cai por terra”, afirma. Dessa forma, diz a diretora, o aprendizado é uma via de mão dupla: a criança menor aprende com a maior porque tem menos experiência de vida; a maior, ao ajudar a menor, precisa refletir e reorganizar o conhecimento que tem; maiores e menores aprendem juntas a respeitar as diferentes opiniões e, assim, vão se acostumando com conceitos como tolerância, paciência, democracia e empatia.

Segundo a abordagem Reggiana, os grupos de crianças devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar, capaz de trabalhar com as diferentes linguagens que a criança pode desenvolver. Até por isso, normalmente um profissional ligado às artes, chamado na Itália de atelierista, acompanha os trabalhos. Essa vocação é tão forte que, agora mesmo, quem visita Reggio Emilia encontra parte da ciclovia da cidade e a cortina do teatro municipal enfeitadas com desenhos feitos por crianças das escolas locais, o que reforça o vínculo com a comunidade, outra característica determinante da abordagem.

“Essa relação direta [entre escola e comunidade] se dá pelos eventos que são organizados na cidade em diálogo com a escola, pela criação de um centro de formação de educadores que também atende a comunidade e pela existência de um centro de materiais reciclados que abastece os ateliês das escolas”, diz Nana Giovedi, diretora de educação infantil do Colégio Oswald de Andrade, que visitou a cidade com uma a Rede Solare, um grupo da América Latina que estuda a abordagem Reggiana.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Esclerose múltipla X Vitamina D






Conheci a poucas semanas uma senhora que contou-me a trajetória de sua filha, que lutou por quatorze anos para sobreviver à esclerose múltipla.
A perda para família foi dolorida, mas sabiam que a filha havia lutado o quanto pode e já era hora de descansar.
Aquilo me deu uma sensação muito grande de impotência, saber de mais uma doença que não tem cura, que hoje só  podemos impedir seu progresso.
Na verdade já conhecia a doença, mas de artigos, nada pessoal, próximo ...
A experiência daquela família me tocou profundamente, e mesmo que esteja tendo uma trajetória similar, a deficiência de meu filho nos dá condições de vida, de tratamento ...

Então essa semana deparei-me com um artigo sobre casos de pacientes com esclerose múltipla que estão tendo muito sucesso com um tratamento simples, a vitamina D.
Entrei no site abaixo, e outros pra pesquisar, para ter certeza que não era mais uma promessa "MILAGREIRA", troquei emails com pacientes e pude confirmar  o resultado do novo paradigma sobre o tratamento de doenças autoimunes.
Os estudos com a vitamina D, para tratamento de doenças autoimunes, são da década de oitenta, porém  poucos segmentos tiveram interesse nas pequisas. Nos últimos dez anos é que felizmente voltaram a intensificar os estudos e os resultados estão sendo muito positivos.
Com a vitamina D,  atuando na estabilização e cura da esclerose múltipla, entre outras doenças, observei um novo rumo para esses pacientes.
Senti-me feliz por cada um deles, afinal esse sofrimento pode estar com seus dias  contados.
Todos referem benefícios com o tratamento, diferem na intensidade do resultado e a quantidade administrada da vitamina.
O emocional como em qualquer outra doença autoimune é fundamental para a melhora.

Magda Cunha




A vitamina D

Artigo de John Cannell, MD, do site Vitamin D CouncilTradução: José Carlos Brasil Peixoto
(texto originalmente publicado no site Uma Outra Visão
Todos nós sabemos que a vitamina D (colecalciferol) é crucial para sua saúde. Mas a vitamina D é realmente uma vitamina? Está presente nas comidas que os humanos normalmente consomem? Embora exista em algum percentual na gordura do peixe, a vitamina D não está em nossas dietas a não ser que os humanos artificialmente incrementem um produto alimentar, como o leite enriquecido com vitamina D. A natureza planejou que você a produzisse em sua pele, e não a colocasse direto em sua boca.
... continue e saiba mais sobre a vitamina D nesse endereço.

Material de apoio


Aqui você encontra uma espécie de “dossiê”, com artigos científicos e matérias jornalísticas falando sobre a relação da vitamina D com doenças autoimunitárias, em especial a esclerose múltipla, e também sobre outras questões que envolvem o tema, como os interesses financeiros da indústria farmacêutica.
... continue nesse site e conheça tudo sobre os benefícios desse tratamento ...

         http://vitaminadporumaoutraterapia.wordpress.com/material-de-apoio/





Como lidar com o deficiente?


Essa pergunta é essencial para nos posicionarmos em relação a inclusão social dos deficientes.
Primeiramente compreendermos que todos nós somos diversos, diferentes e que temos dificuldades, deficiências.
Após ampliarmos a visão em relação ao conceito "ser cidadão".
E finalmente exercitarmos a auteridade.
A conclusão que chegamos é que não há diferença entre os direitos entre cidadãos, e que tudo o que precisamos pra uma vida digna é comum a todos, independente de pequenas ou grandes diferenças físicas ou psíquicas.
Portanto ser deficiente não amputa o direito de ser cidadão digno e ativo socialmente.

Chegado a esse conceito ainda nos deparamos com situações de conflito, de ordem prática.
As vezes não sabemos bem o que, ou como fazer para auxiliar um cadeirante, um cego ou de que forma abordarmos esse cidadão.

Recebi e fiz questão de postar esse manual com dicas para oportunizar uma convivência igualitária aos cidadãos que necessitam de adaptações sociais para suas práticas diárias.
Orientações importantes que facilitarão a convivência digna, minimizando diferenças que venham dificultar o acesso, mobilidade ou atendimento social. 
Cada cidadão tem o dever e responsabilidade na disseminação de idéias que ampliem a efetiva inclusão social de pessoas com deficiência.
É mais uma  iniciativa da Prefeitura de São Paulo, e acredito que através da clareza e objetividade  trará sem dúvidas  bons resultados.

Magda Cunha















Tecnologia acadêmica ...


Uma nova manereira de estudar a partir da rede social.

Alunos da PUC - Rio trocam virtualmente experiências e refletem a prática, em busca de um trabalho acadêmico conciso e melhor elaborado.

Parabéns aos estudantes que utilizaram a tecnologia a seu favor!


Magda Cunha   

Fonte: Professor Ivanilson Costa  ivanilson.com

Estudantes criam a primeira rede social acadêmica do Brasil


Universitários da PUC Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) propõem uma nova forma de estudar, por meio do Passei Direto, um  sistema virtual gratuito que facilita o fluxo de informações entre os alunos. A ferramenta, lançada pelo Grupo Xangô, oferece diferentes serviços para cada etapa do período acadêmico, auxiliando desde o primeiro dia de aula até a formatura.
Inédita no país, a plataforma permite que os estudantes compartilhem arquivos por disciplina, cronograma semestral, agenda de eventos, além de acompanharem quais colegas estão cursando quais matérias e terem a possibilidade de tirar dúvidas em tempo real com os monitores.

Segundo o sócio-fundador do projeto, André Simões, o objetivo é criar meios para estimular a interatividade entre os universitários e otimizar os resultados para que cada vez mais estudantes “passem direto” durante a graduação. Outra vantagem é que são os próprios alunos que controlam o conteúdo, fazendo com que haja apenas informações que eles consideram relevantes, não existindo nenhum vínculo com os sites oficiais da universidade.
Com menos de um mês no ar e ainda restrito aos estudantes da PUC, a rede já recebeu mais de mil visitas. A ideia é que ele seja aberto em breve a outras instituições de ensino do Brasil e, futuramente da América Latina, de acordo com a demanda dos alunos.

 Aprendiz