Ensinar a falar é tão importante quanto ensinar a ler e a escrever
Crianças e jovens precisam aprender a falar em público e a defender idéias e direitos. Essas habilidades não podem ficar de fora do ensino da língua
Fonte: Roberta Bencini (novaescola@fvc.org.br)
Roda na Escola Projeto Vida: Gabriel Ferreirinho, da 2ª série, conta aos colegas sobre seu fim de semana.
Foto: Daniel Aratangy
Para que desenvolver a oralidade não signifique corrigir a fala dos alunos, reconheça as diferenças culturais presentes na língua.
Trabalhos de expressão oral são muito mais que leitura de textos em voz alta. Eles incluem o incentivo à manifestação espontânea e freqüente dos alunos em qualquer disciplina. As atividades partem de situações simples, como a sua disposição para ouvir e permitir que crianças e jovens exponham suas idéias. Depois é preciso criar ações didáticas que possibilitem experiências significativas da comunicação pela fala.
Para que um aluno seja capaz de fazer um comunicado para os colegas da classe é preciso que ele esteja desinibido e que tenha o discurso preparado. Já na Educação Infantil você pode incentivar a participação em teatrinhos e a conversa entre os pequenos até mesmo durante atividades simples, como a brincadeira com massinha.
O Ensino Fundamental e o Médio pedem atividades mais complexas, como a apresentação de seminários e palestras, a realização de entrevistas, a análise de material gravado, a produção de programas de rádio e outros.
É preciso saber ouvir
Saber falar envolve saber ouvir e esperar o momento certo para argumentar. Essa atividade é antes de tudo uma lição de respeito e educação, tão discutida principalmente com as turmas de adolescentes. O grupo deve estar atento para não repetir idéias já expostas num debate, por exemplo. O ideal é acrescentar algo àquilo que já foi dito.
Uma das maneiras de realizar um bom trabalho de escuta é ler contos e fábulas infantis para a garotada, desde a Educação Infantil.
Nas primeiras séries do Ensino Fundamental, os estudantes já têm condições de ficar atentos a palestras ou outros gêneros gravados previamente. Maria José defende a criação de um acervo de fitas cassete ou de vídeos que apresentem modelos de textos orais. Palestras ou entrevistas de personalidades do interesse da garotada, veiculadas pela televisão ou pelo rádio, são uma boa pedida para compor a coleção.
Outra opção é orientar a capacidade de ouvir por meio de textos produzidos pelos próprios estudantes. Você também pode organizar atividades de escuta crítica de textos para que os alunos aprendam a fazer anotações durante uma aula, exposição ou palestra.
Turmas a partir da 5ª série já podem transcrever uma aula, entrevista ou palestra gravada. Além de treinar o ouvir, elas aprendem a selecionar e resumir as informações constantes do material.
Lembre-se de que o primeiro modelo da turma é você. Por isso, é importante falar corretamente, não usar gírias e ouvir atentamente a sua classe. "O diálogo entre alunos e professores é uma excelente oportunidade de aprendizado, pois permite a troca de informações e o confronto de opiniões", conclui Maria José.
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