domingo, 26 de março de 2017

Movimento pinça e desenvolvimento da escrita

A importância do movimento de pinça para a escrita

Movimento de Pinça
O desenvolvimento motor humano passa por diversas etapas ao longo da vida de acordo com a fase em que o indivíduo se encontra. Essas etapas são de extrema importância para a aquisição de determinadas habilidades que serão utilizadas para toda a vida.
Esse é justamente o caso do movimento de pinça e como ele é importante para a realização de tarefas cotidianas, como a escrita, por exemplo.
Talvez você não saiba, mas foi o movimento de pinça que permitiu ao homem a realização de trabalhos manuais, auxiliando inclusive durante o processo evolutivo da espécie no manuseio e construção de artigos de caça e demais ferramentas.

A importância do movimento de pinça para a escrita

Que a realização do movimento de pinça foi uma das habilidades adquiridas pelo homem durante o processo evolutivo nós aqui já sabemos, mas a pergunta que não quer calar é qual a importância do movimento de pinça para a escrita?

Pois então vamos descobrir!

Se existe algo extremamente comum é ouvirmos diversos questionamentos e comentários a respeito da qualidade da escrita das crianças, principalmente nos dias atuais.
O que acontece é que, segundo estudos da “Psicogênese da Língua Escrita” o processo da escrita em si está sendo um tanto deixado de lado pelos educadores modernos.
Esse é um processo que envolve muitas etapas que vão desde a instrumentação até habilidades psicomotoras que são as que requerem maturidade e treinamento muscular preparando dedos e braços para o ato da escrita em si.
Então, para que a criança consiga ter uma comunicação escrita legível é preciso atender a todos os aspectos que envolvem o seu crescimento, isso é, toda a conquista do esquema corporal que engloba o equilíbrio estático e dinâmico, movimentos amplos, alongamentos e o movimento de pinça bem como o treinamento da musculatura dos membros superiores.
Sendo assim, para escrever e comunicar-se com legibilidade através desse meio a criança precisa estar com o movimento de pinça muito bem treinado, definido e desenvolvido.
Assim ela conseguirá segurar o lápis corretamente, apoiar o braço de maneira adequada na mesa tendo o suporte necessário prevenindo dores decorrentes da má postura.

Como treinar e desenvolver o movimento de pinça

Para treinar e desenvolver o movimento de pinça nas crianças tanto os educadores como os pais podem oferecer ferramentas que trabalhem com essa atividade como argila e massinhas de modelar.
Trabalhos manuais como rasgar papel, enrolar bolinhas de papel, transportar materiais, desenhar, pintar ou mesmo o arremesso de bolinhas de jornal também ajudam no processo de aquisição do movimento.
Treinar desenhos de quadrados, círculos e outras formas geométricas também é fundamental para que posteriormente a criança consiga também desenhar os símbolos pertencentes ao nosso alfabeto.
Isso por que através dessas figuras geométricas as crianças desenvolvem a habilidade de executar traços horizontais, verticais, inclinados e também circulares.
Entretanto vale lembrar que os traços circulares e inclinados só aparecem mesmo na representação da criança depois que ela é capaz de cruzar a linha mediana do corpo, pois antes eles são representados tombando o papel.
O alerta então vai para a importância de o professor e também os pais estarem sempre atentos ao desenvolvimento motor da criança cuidando também para que a escrita em caixa alta não se estenda por muito tempo, pois é uma escrita simples e com representações básicas, mas que faz parte do processo de aprendizagem.
O fundamental é saber que a letra minúscula tem uma importância muito grande para a escrita, pois permite que a criança passe a identificar hastes descendentes e ascendentes e também o lado esquerdo e direito adquirindo a fineza de movimentos necessários para executá-los.
fonte: Filosofando
https://filosofandoporaiblog.wordpress.com/2017/02/23/sartre-bibliografia-em-pdf-17-livros-para-download/

Confira: http://bit.ly/2kRWNpB

 

Jean-Paul Sartre: 17 livros em PDF para download.


Uma das características mais marcantes de Jean-Paul Sartre (1905-1980) é sua versatilidade com os vários tipos de texto, aliando conceitos filosóficos a ensaios e ficções. Não se pode, no entanto, separá-los no conjunto da obra sartreana. Romances contos, crônicas, crítica literária, jornalismo, análise política  e ensaios estão profundamente ligados, constituindo-se em maneiras diferentes de expressar o tema principal de sua reflexão: o homem.
Neste sentido, Sartre retoma a ideia de Heidegger, de que o ser humano vem do nada e se dirige também para o nada. Ele vem do nada e somente passa a ser, a existir, quando, já no mundo, começa a fazer-se, a construir-se é nesse sentido que Sartre entende o homem como “ser para-si” e, novamente, resgata outra noção de Heidegger: a de que a existência humana é sempre um projeto. Existir é impelir-se na direção do futuro.
Para aqueles que queiram conhecer melhor a obra de Jean-Paul Sarte segue, abaixo, a lista de títulos disponíveis para download e, mais abaixo, em vermelho, o link para realizar o download dos livros:
A existência como liberdade absoluta | A imaginação | A náusea; As moscas | Entre quatro paredes | Erostrato; Esboço para uma teoria das emoções | Infância de um chefe | O existêncialismo é um humanismo | O imaginário – Psicologia fenomenológica da imaginação |  O método Progressivo Regressivo |O que é subjetividade | O que é literatura | O ser e o nada | Caminhos da liberdade 1 – Idade da razão | Caminhos da liberdade 2 -Pena suspensa | Caminhos da liberdade 3 | Com a morte na alma e Os dados estão lançados

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Obras de Freud, Lacan e Jung para download gratuito

Fonte: Filosofando https://filosofandoporaiblog.wordpress.com/2017/02/18/lacan-freud-e-jung-62-livros-em-pdf-para-download/

Este é o link para realizar o download: http://bit.ly/2lwaNVC 

Lacan, Freud e Jung: bibliografia em português para download gratuito.


Atendendo a pedidos, este post é uma compilação de outros 3 posts, a proposta é reunir a obra destes 3 autores num lugar só, facilitando o acesso aos nossos leitores. Segue abaixo a lista de obras disponibilizadas de cada autor e, mais abaixo, o link (em vermelho) para download dos livros em PDF:

Jacques Lacan, 23 obras:

Escritos, Nomes do pai, O Seminário ( livros 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17. 18, 19, 20 e 23) e O saber do psicanalista.
Para fazer o download do livros em PDF – CLIQUE AQUI!
Além da bibliografia de  Jacques Lacan, para aqueles que queiram conhecer melhor a obra do autor, recomendamos o documentário “Encontro com Lacan”, que você pode ver clicando aqui.


Sigmund Freud, 28 livros:

A interpretação dos sonhos, Luto e Melancolia, O futuro de uma ilusão, O mal-estar na cultura, Obras Completas do volume 1 ao 23 em arquivos independentes e Obras Completas em volume único.
Para fazer o download do livros em PDF – CLIQUE AQUI!
Além da bibliografia de Sigmund Freud, para aqueles que queiram conhecer melhor a obra do autor, recomendamos o documentário “Análise de uma mente” que você pode ver, clicando aqui.


Carl Jung, 11 livros:

A Energia Psíquica, A natureza da Psique, O desenvolvimento da personalidade, O homem e seus símbolos, O segredo da Flor de Ouro, Os arquétipos e o inconsciente coletivo, Psicologia do Inconsciente, Psicologia e Religião e  Um mito moderno sobre coisas vistas do céu.
Para fazer o download do livros em PDF – CLIQUE AQUI!
Além da bibliografia de Carl Jung, para aqueles que queiram conhecer melhor a obra do autor, recomendamos 2 entrevistas , que você pode ver clicando aqui.

Coleção "Pensadores" para download

Fonte: Filosofando

https://filosofandoporaiblog.wordpress.com/2017/02/16/os-pensadores-colecao-completa-55-livros-para-download/

Dos pré-socráticos aos pós-modernos! Coleção “Os Pensadores -: 55 livros sobre os pensadores das principais escolas filosóficas em PDF, disponível para download.

A Coleção “Os Pensadores” é uma coleção de livros que reúne as obras dos filósofos ocidentais desde os pré-socráticos aos pós-modernos. O interessante desta coleção é que ela reúne em cada exemplar um pequeno apanhado sobre a biografia do autor em questão e um, dois ou três livros deste mesmo autor, normalmente os títulos mais conhecidos.
Publicada originalmente pela editora Abril Cultural, entre os anos de 1973/1975 era composta de 52 volumes. A edição que indicamos é de 1984 e é composta por 56 títulos, segue abaixo a lista de títulos disponíveis e mais abaixo (em vermelho) o link para fazer o donload dos livros em PDF:
Aristóteles I
Aristóteles II
Bachelard
Benjamin, Habermas, Horkheimer e Adorno
Berkeley e Hume
Comte
Condillac, Heveltius e Degérando
Descartes
Diderot
Epícuro, Lucrécio, Cícero, Sêneca e Marco Aurélio
Erasmo e Thomas More
Espinosa
Fichte
Galileu, Bruno e Campanella
Hegel
Hobbes
Jefferson, Federalistas, Paine e Tocqueville
Kant I
Kant II
Kierkegaard
Leibniz
Lévi-Strauss
Locke
Maquiavel
Marx
Merleau Ponty
Montaine
Montesquieu
Moore
Newton e Leibniz
Nietzsche
Pascal
Pavlov e Skinner
Peirce e Frege
Piaget
Platão
Rosseau
Santo Agostinho
Santo Anselmo Abelardo
Schelling
Schopenhauer
Stuart Mill e Bentham
Tomás de Aquino, Dante, Dunscot e Ockham
Vico
Voltaire
Wittgenstein

Educar educadores por Edgar Morin

Edgar Morin: é preciso educar os educadores


Edgar Morin
“A educação não pode ignorar a curiosidade das crianças”
– Edgar Morin
Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica nas relações internacionais.
Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin, hoje com 95 anos, defende que a maior urgência no campo das ideias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe um dos conceitos que o tornaram um dos maiores intelectuais do nosso tempo: o da complexidade.
Em entrevista, o pensador critica o modelo ocidental de ensino que, segundo ele, separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. Para Morin, as disciplinas fechadas ensinam o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas impedem a compreensão dos problemas do mundo e de si mesmo.
Entrevista concedida à Andrea Rangel/O Globo

Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?
A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor.
Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.
É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.

Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual?
O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo.
O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.

O senhor pode explicar melhor esse conceito de conhecimento?
Vamos pensar em um conhecimento mais simples, a nossa percepção visual. Eu vejo as pessoas que estão comigo, essa visão é uma percepção da realidade, que é uma tradução de todos os estímulos que chegam à nossa retina. Por que essa visão é uma fotografia? As pessoas que estão longe são pequenas, e vice-versa. E essa visão é reconstruída de forma a reconhecermos essa alteração da realidade, já que todas as pessoas apresentam um tamanho similar.
Todo conhecimento é uma tradução, que é seguido de uma reconstrução, e ambos os processos oferecem o risco do erro. Existe outro ponto vital que não é abordado pelo ensino: a compreensão humana.
O grande problema da humanidade é que todos nós somos idênticos e diferentes, e precisamos lidar com essas duas ideias que não são compatíveis.
A crise no ensino surge por conta da ausência dessas matérias que são importantes ao viver. Ensinamos apenas o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas ele também precisa se adaptar aos fatos e a si mesmo.

O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento?
As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa.
O meu livro O homem e a morte é tipicamente transdisciplinar, pois busco entender as diferentes reações humanas diante da morte através dos conhecimentos da pré-história, da psicologia, da religião. Eu precisei fazer uma viagem por todas as doenças sociais e humanas, e recorri aos saberes de áreas do conhecimento, como psicanálise e biologia.

Como a associação entre a razão e a afetividade pode ser aplicada no sistema educacional?
É preciso estabelecer um jogo dialético entre razão e emoção. Descobriu-se que a razão pura não existe. Um matemático precisa ter paixão pela matemática. Não podemos abandonar a razão, o sentimento deve ser submetido a um controle racional.
O economista, muitas vezes, só trabalha através do cálculo, que é um complemento cego ao sentimento humano. Ao não levar em consideração as emoções dos seres humanos, um economista opera apenas cálculos cegos. Essa postura explica em boa parte a crise econômica que a Europa está vivendo atualmente.

A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê?
Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a literatura e as artes também são um meio de conhecimento.
Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário.

Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino?
O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas, a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão.

Fonte: Fronteiras do Pensamento|O Globo

Reflexões de Paulo Freire

Fonte: Catraquinha Livre http://www.revistapazes.com/paulofreire/

Paulo Freire em dez reflexões de absoluta sabedoria

Paulo Freire, o educador brasileiro mais conhecido em todo o mundo, deixou-nos centenas de reflexões dignas de total apreço.
Dentre elas, separamos 10 frases aos leitores da Revista Pazes.
Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor.
***
O erro, na verdade, não é ter um certo ponto de vista, mas absolutizá-lo e desconhecer que, mesmo do acerto de seu ponto de vista é possível que a razão ética nem sempre esteja com ele.
***
Não há saber mais ou menos: há saberes diferenciado.
***
A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria.
***
Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. A diferença entre o inacabado que não se sabe como tal e o inacabado que histórica e socialmente alcançou a possibilidade de saber-se inacabado.
***
Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso. Amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.
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Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre.
***
A humildade exprime uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém.

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Ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanha pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina.

***
Amar é um ato de coragem.
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Edgar Morin, "O verdadeiro papel da educação".

Fonte: revista Nova Escola | Fronteiras do Pensamento

O verdadeiro papel da educação – Edgar Morin


Edgar Morin
“A educação deve ser um despertar para a filosofia, para a literatura, para a música, para as artes. É isso que preenche a vida. Esse é o seu verdadeiro papel.”
O filósofo francês Edgar Morin fala sobre um dos temas que o tornou uma influência mundial, a educação. Morin fala sobre a necessidade de estimular o questionamento das crianças, sobre reforma no ensino e sobre a importância da reflexão filosófica não tanto para que respostas sejam encontradas, mas para fomentar a investigação e a pluralidade de possíveis caminhos. Leia abaixo:

O senhor costuma comparar o nosso planeta a uma nave espacial, em que a economia, a ciência, a tecnologia e a política seriam os motores, que atualmente estão danificados. Qual o papel da educação nessa espaçonave?
Ela teria a função de trazer a compreensão e fazer as ligações necessárias para esse sistema funcionar bem. Uso o verbo no condicional porque acho que ela ainda não desempenha esse papel. O problema é que nessa nave os relacionamentos são muito ruins. Desde o convívio entre pais e filhos, cheio de brigas, até as relações internacionais — basta ver o número de guerras que temos. Por isso é preciso lutar para a melhoria dessas relações.

O que é preciso mudar no ensino para que o nosso planeta, ou a nave, entre em órbita?
 Um dos principais objetivos da educação é ensinar valores. E esses são incorporados pela criança desde muito cedo. É preciso mostrar a ela como compreender a si mesma para que possa compreender os outros e a humanidade em geral. Os jovens têm de conhecer as particularidades do ser humano e o papel dele na era planetária que vivemos. Por isso a educação ainda não está fazendo sua parte. O sistema educacional não incorpora essas discussões e, pior, fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade.
O senhor então é contra a divisão do saber em várias disciplinas?
As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem. Caso contrário, será sempre ineficiente e insuficiente para os cidadãos do futuro.

Na prática, de que forma a compreensão e a condição humana podem estar presentes em um currículo?
Ora, as dúvidas que uma criança tem são praticamente as mesmas dos adultos e dos filósofos. Quem somos, de onde viemos e para que estamos aqui? Tentar responder a essas questões, com certeza, vai instigar a curiosidade dos pequenos e permitir que eles comecem a se localizar no seu espaço, na comunidade, no mundo e a perceber a correlação dos saberes.

Mas uma pergunta como “quem somos?” não é fácil de responder.
E não precisa ser respondida. É a investigação e a pluralidade de possíveis caminhos que tornam o assunto interessante. Podemos ir pelo social, somos indivíduos, pertencentes a determinadas famílias, que estão em certa sociedade, dentro de um mundo que tem passado, história. Todos temos um jeito de ser, um perfil psicológico que também dá outras informações sobre essa questão. Mas também somos seres feitos de células vivas, entramos na biologia—, que são formadas por moléculas,— temos então a química. Todas essas moléculas são constituídas por átomos que vieram de explosões estelares ocorridas há milhões de anos… E assim por diante. Sempre instigando a curiosidade e não a matando, como frequentemente faz a escola.

Como temas tão profundos podem ser tratados sem que a aula fique chata?
É só não deixar enjoativo o que é por natureza passional. Um jornal francês de literatura fez uma pesquisa entre os alunos e descobriu que até os 14 anos os jovens gostam de ler e lêem muito. Quando vão para o liceu, lêem menos. É verdade que eles começam a sair mais de casa e ter outros interesses, mas um dos principais motivos é que os professores tornam a literatura chata, decupando-a em partes pequenas e analisando minuciosamente o seu vocabulário, em vez de dar mais valor ao sentido do texto, à sua ação. Nada mais passional do que um romance, nada tão maravilhoso quanto a poesia! Nada retrata melhor a problemática humana do que as grandes obras literárias. Os saberes não devem assassinar a curiosidade. A educação deve ser um despertar para a filosofia, para a literatura, para a música, para as artes. É isso que preenche a vida. Esse é o seu verdadeiro papel.

A literatura e as artes deveriam ter mais destaque no ensino?
Sem dúvida. Elas poderiam se constituir em eixos transdisciplinares. Pegue-se Guerra e Paz, de Tolstói, por exemplo. O professor de Literatura pode pedir a seu colega de História para ajudá-lo a situar a obra na história da Rússia. Pode solicitar a um psicólogo, da escola ou não, que converse com a classe sobre as características psicológicas dos personagens e as relações entre eles; a um sociólogo que ajude na compreensão da organização social da época. Toda grande obra de literatura tem a sua dimensão histórica, psicológica, social, filosófica e cada um desses aspectos traz esclarecimentos e informações importantes para o estudante. Todo país tem suas grandes obras e certamente também os clássicos universais servem para esse fim.

O professor deve buscar sempre o trabalho interdisciplinar?
Ele deve ter consciência da importância de sua disciplina, mas precisa perceber também que, com a iluminação de outros olhares, vai ficar muito mais interessante. O professor pode procurar ter essa cultura menos especializada, enquanto não existir uma mudança na formação e na organização dos saberes. O professor de Literatura precisa conhecer um pouco de história e de psicologia, assim como o de Matemática e o de Física necessitam de uma formação literária. Hoje existe um abismo entre as humanidades e as ciências, o que é grave para as duas. Somente uma comunicação entre elas vai propiciar o nascimento de uma nova cultura, e essa, sim, deverá perpassar a formação de todos os profissionais.

Como o professor vai aprender a trabalhar de forma conjunta?
Ele vai se autoformar quando começar a escutar os alunos, que são os porta-vozes de nossa época. Se há desinteresse da classe, ele precisa saber o porquê. É dessa postura de diálogo que as novas necessidades de ensino vão surgir. Ao professor cabe atendê-las.

Como acontece uma grande reforma educacional?
Nenhuma mudança é feita de uma só vez. Não adianta um ministro querer revolucionar a escola se os espíritos não estiverem preparados. A reforma vai começar por uma minoria que sente necessidade de mudar. É preciso começar por experiências pilotos, em uma sala de aula, uma escola ou uma universidade em que novas técnicas e metodologias sejam utilizadas e onde os saberes necessários para uma educação do futuro componham o currículo. Teríamos, desde o começo da escolarização, temas como a compreensão humana; a época planetária, em que se buscaria entender o nosso tempo, nossos dilemas e nossos desafios; o estudo da condição humana em seus aspectos biológicos, físicos, culturais, sociais e psíquicos. Dessa forma começaríamos a progredir e finalmente a mudar.

Como tratar temas tão profundos como o estudo da condição humana nos diversos níveis de ensino?
Os professores polivalentes da escola primária são os ideais para tratar desses assuntos. Por não serem especialistas, têm uma visão mais ampla dos saberes. Eles podem partir da problemática do estudante e fazer um programa de ensino cheio de questões que partissem do ser humano. O polivalente pode mostrar aos pequenos como se produz a cultura da televisão e do videogame na qual eles estão imersos desde muito cedo. Já a escola que trabalha com os jovens deve dedicar-se à aprendizagem do diálogo entre as culturas humanísticas e científicas. É o momento ideal para o aluno conhecer a história de sua nação, situar-se no futuro de seu continente e da humanidade. Às universidades caberia a reforma do pensamento, para permitir o uso integral da inteligência.

Fonte: revista Nova Escola | Fronteiras do Pensamento